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Relação médico-paciente



Quando era pequenina não gostava do meu médico de família. O meu médico era na altura uma pessoa fechada, de poucas falas e que raramente levantava os olhos do computador (numa altura em que raras eram as pessoas que tinham computador). Sendo eu criança, esta pessoa não era propriamente o mais estimulante para mim.
Com o tempo, e desde que comecei a ir ao médico sozinha, que a relação tem vindo a criar alicerces. Depois de eu ter terminado o curso de Psicologia, e talvez por ser em parte uma "colega de trabalho" num sentido muito abrangente, a relação para além dos alicerces, ficou com 5 andares, muitas varandas e um duplex. Quer isto dizer que desde então, sempre que lá vou, as consultas são sempre uma história para a posteridade. Para além de falar comigo de termos extremamente técnicos (princípios ativos dos medicamentos, funcionamento do organismo, sinapses e um sem fim de doenças que nada tem a ver com a psicologia e que, mesmo que tenha abordado no curso, foi muito ao de leve comparativamente com ele porque eu não tirei medicina) não sei bem quem é o paciente e quem é o técnico. Quando lá vou, acaba sempre por conversar desabafar comigo sobre temas que nada tem a ver com o meu estado clínico. Eu não vou lá como psicóloga mas sim como paciente, embora ele deve achar que não (e a taxa moderadora que pago também me diz que não). 

Hoje, quando lá fui, esteve a desabafar sobre as medidas restritivas e impeditivas de boa prática médica que o governo vai implementar, com direito a mostrar-me tabelas com valores, percentagens e medidas de corte, simulações no computador para eu perceber de que forma é que essas medidas irão ser castradores do exercício da medicina de forma ética e deontológica e algumas piadas sobre as mesmas medidas. Para além disso (e não sendo isto já bastante caricato) ainda esteve a teorizar sobre algumas características suas e sobre algumas das suas lacunas.

No final de tudo, e após 45 minutos de conversa muito variada, ia acabando por sair de lá sem aquilo para que lá fui (e acreditem que o que lá fui fazer, se não houvesse conversa pegada, em 10 minutos resolvia-se o assunto). Não fosse eu ter confirmado os papeis que tinha na mão quando entrei no carro e não teria reparado que ele se tinha esquecido de me passar um dos exames. Toca a voltar ao consultório dele, o que ainda deu direito a mais uns minutinhos de conversa.

E é isto a minha convivência com o meu médico de família. Não é que isso me incomode ou me seja desconfortável (até porque a competência e qualidade dos atendimentos é exímia). Apenas acho atípico.

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